Análise: perda de poder do grupo de Lula no PT aponta radicalismo à esquerda?

Falamos há pouco sobre a “novidade” no Diretório Nacional do PT: o grupo de Lula, após 13 anos, perdeu a maioria. E também a perdeu na Executiva Nacional, que controla o dia-a-dia do partido. A todos nós de fora, quase que dá tudo no mesmo, mas lá dentro a história é outra.

E o que isso indica?

A primeira aposta seria um radicalismo à esquerda, considerando sobretudo novas lideranças internas mais ligadas à militância de base, como o senador Lindbergh Farias, que no último encontro do partido foi tratado por parte da militância como se fosse um anti-Lula. Não por acaso, aliás, grupos majoritários adotam também alguns discursos de maior extremismo esquerdista, mas talvez os filiados já não se convençam.

O grande problema é que isso dura até a página dois. Novos grupos ocupam posições estratégicas e de influência, adotando discursos bem mais ideologicamente “exaltados” (chamemos assim), porém a vida prática é outra conversa. Para conseguir poder fora da estrutura partidária é preciso ganhar eleições e, exceto nas proporcionais, isso fica impossível sem conciliação.

E aí o radicalismo do discurso tende a ir um pouco pelo ralo. No fim, a aposta mais segura seria acreditar apenas num “pós-Lula”. Algo que cedo ou tarde aconteceria.